A produção de chocolates finos em Medicilândia, no sudoeste do Pará, vem ganhando espaço no mercado e reconhecimento internacional. Um dos exemplos é a Cacau Way, fábrica de chocolates da Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica (Coopatrans), que recebeu R$ 2,5 milhões em investimentos por meio do Plano Sub-regional de Desenvolvimento Sustentável do Xingu (PDRSX).
Os recursos foram utilizados para ampliar a estrutura de produção, adquirir equipamentos e diversificar a linha de produtos. Atualmente, a cooperativa conta com um catálogo de mais de 140 itens, produzidos a partir do cacau cultivado por agricultores familiares da região.
Localizada em um dos principais polos produtores de cacau do Brasil, a fábrica busca agregar valor à matéria-prima regional, permitindo que os agricultores participem não apenas do cultivo, mas também do processamento e da comercialização dos chocolates.
Segundo o presidente da Coopatrans, Tarcísio Venturim, os investimentos foram fundamentais para superar dificuldades enfrentadas pela indústria na região amazônica, principalmente em relação à distância dos fornecedores e à escassez de mão de obra especializada.
“Produzir chocolate na Amazônia envolve muitos desafios. Estamos longe de fornecedores de peças e de mão de obra especializada. Sem o PDRSX, não teríamos ultrapassado os 140 itens em nosso catálogo. O maquinário permitiu a verticalização da produção da agricultura familiar”, destacou.
Além da ampliação da fábrica, a cooperativa também investiu na melhoria da qualidade das amêndoas de cacau, especialmente nas etapas de seleção e fermentação, consideradas fundamentais para a fabricação de chocolates finos.
A agricultora Hélia Félix, coordenadora de projetos da Coopatrans, explicou que o trabalho desenvolvido pelos produtores busca garantir uma matéria-prima de qualidade, valorizando as características naturais do cacau amazônico.
“Em 2024, concentramos nossos esforços na seleção e fermentação das amêndoas, garantindo o padrão de excelência da Cacau Way. Como produtores, priorizamos uma matéria-prima pura, sem aditivos, gerando um chocolate natural voltado à saúde e ao bem-estar do consumidor”, afirmou.
Cacau de Medicilândia conquista premiações
O trabalho realizado pela cooperativa também ganhou reconhecimento fora do Brasil. As amêndoas produzidas pelos agricultores ligados à Coopatrans foram premiadas no Cacao of Excellence Awards, em 2024 e 2026, em Amsterdã, na Holanda.
A cooperativa também recebeu reconhecimento no Festival Internacional do Chocolate e Cacau de Belém, realizado em 2024.
As premiações ajudam a dar visibilidade ao cacau produzido na região da Transamazônica e demonstram o potencial dos agricultores familiares para atender ao mercado de chocolates de maior valor agregado.
Mais de R$ 360 milhões destinados a projetos na região do Xingu
O investimento na Cacau Way faz parte de um conjunto de ações financiadas pelo Plano Sub-regional de Desenvolvimento Sustentável do Xingu (PDRSX), criado em 2010, durante a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), cerca de 410 iniciativas receberam apoio do programa até 2026, com recursos que somam R$ 361 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 278 milhões já foram executados.
Os investimentos contemplam projetos em dez municípios da região do Xingu-Transamazônica, abrangendo áreas como agricultura familiar, saúde, educação, regularização fundiária e comunicação comunitária.
Entre as iniciativas apoiadas estão a reforma e ampliação do hospital de Brasil Novo, ações voltadas às Reservas Extrativistas da Terra do Meio, projetos de rádios comunitárias e a consolidação do curso de Medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Altamira.
Outra iniciativa contemplada é o projeto Mulheres Gerando Renda, voltado ao fortalecimento de atividades produtivas e à geração de oportunidades econômicas.
Entre agosto e setembro de 2026, técnicos do Ministério visitaram sete projetos selecionados pelo Comitê Gestor do PDRSX para acompanhar os resultados dos investimentos e ouvir representantes das comunidades beneficiadas.
Em outubro, um novo edital no valor de R$ 40 milhões foi aberto para selecionar projetos socioambientais na região.
A experiência da Cacau Way foi escolhida para abrir uma série de reportagens produzida pelo MIDR, intitulada “Retratos do Xingu: projetos que transformam o território”, que apresenta iniciativas financiadas pelo programa e seus resultados para a população.
Com informações do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).


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