De janeiro a dezembro de 2020, os noticiários brasileiros estamparam manchetes de notícias sobre feminicídios e violência doméstica. Na última semana, mas precisamente no dia de Natal, foi notícia em todo país o feminicídio da juíza do trabalho Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, de 45 anos, assassinada a facadas pelo ex-marido.
Em janeiro, foi notícia no Pará, a morte das manicures Samara Mescouto e Jennyfer Silva Martins, ambas vítimas do “Maníaco de Marituba”, atraídas com o pretexto de prestar seus serviços, mas acabaram sendo abusadas e mortas.
Os dois cenários mostram que independente de classe social, o feminicídio é, infelizmente, um crime cada vez mais comum, e os dados não desmentem esta triste realidade.
Em 2020, de janeiro a dezembro, o Pará registrou 63 casos de feminicídio. No mesmo período de 2019, foram 46 casos registrados. Isso significa que a taxa dos crimes de feminicídio no estado aumentou em 37% este ano. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social.
A Lei nº 13.104 de 2015, define o crime de feminicídio como um homicídio em contexto de violência doméstica e familiar ou em decorrência do menosprezo ou discriminação à condição de mulher, normalmente praticado por alguém do convívio da vítima, em locais onde ela costuma estar ou dentro de casa.
Dentro de casa foi onde a maioria esteve este ano por causa da pandemia, incluindo as vítimas e seus assassinos.
Mas apesar desse fator os dados sobre a violência doméstica, em 2020 no Pará tiveram redução de 3% em relação a 2019. De janeiro a dezembro deste ano foram 15439 registros, em 2019 foram 15965.
Estes últimos números poderiam trazer um pouco de alívio se a real motivação da queda não fosse o fato de que a maioria das vítimas não sobreviveram. O que explica a alta nos números de feminicídios.
Cenário Nacional
Só na última semana, além da juíza Viviane Vieira do Amaral, de 45 anos, moradora de Niterói (RJ), outros 5 casos de feminicídio foram noticiados Brasil afora.
As vítimas foram: Thalia Ferraz, 23, de Jaraguá do Sul (SC); Evelaine Aparecida Ricardo, 29, de Campo Largo (PR); Loni Priebe de Almeida, 74, de Ibarama (RS); Anna Paula Porfírio dos Santos, 45, de Recife (PE); e Aline Arns, 38, de Forquilhinha (SC).
A secretária Nacional de Políticas para as Mulheres, Cristiane Brito, anunciou na passada que o governo federal vai lançar nos próximos meses o Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, com atuação transversal, em conjunto com outros ministérios.


Comentários
Participe com respeito. Comentários podem passar por moderação antes da publicação.
Deixe seu comentário Participe da conversa com respeito. +