Altamira

Polícia Civil de Altamira resgata bebê de 5 dias e prende três por tráfico humano

Investigações revelam fraude na emissão de documentos do hospital e cobrança de R$ 200 mil da mãe biológica.

Foto: Portal Cidade091
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Um bebê de apenas cinco dias de vida foi resgatado pela Polícia Civil no fim da tarde desta segunda-feira (14.set.2026), em Altamira, no sudoeste do Pará. A criança estava com uma mulher que teria vindo da Bahia para receber o recém-nascido e se preparava para deixar o município. A ação começou após uma denúncia anônima recebida pela Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (DEACA). As equipes iniciaram as buscas e conseguiram localizar o bebê antes que ele deixasse a cidade.

As investigações apontam para uma possível negociação envolvendo a entrega da criança. Segundo a delegada Leda Salgado, responsável pelo caso, os policiais chegaram inicialmente a uma pessoa que teria intermediado o contato com a mãe biológica e, a partir dela, identificaram outros dois envolvidos.

“Quando a gente chegou a uma das pessoas que seria, em tese, a pessoa que agenciou, que foi atrás da mãe, que seduziu a mãe para que entregasse o filho, nós conseguimos chegar a mais duas outras pessoas, uma que seria a adotante. Não temos ainda essa informação se o fim realmente era para adoção, mas tudo indica que sim, porque foi dado entrada no hospital com o nome dessa senhora”, explicou a delegada.

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Mãe teria recebido dinheiro durante a gravidez

A apuração começou a partir do depoimento da mãe biológica. Segundo a Polícia Civil, ela contou que, ainda durante a gravidez, teria feito um acordo com um homem apontado como servidor público e assessor de um vereador da Câmara Municipal de Altamira. Pelo acordo, a mulher receberia R$ 600 por mês e teria as despesas da gestação custeadas. Em troca, entregaria o bebê após o nascimento. No entanto, depois que o menino nasceu, a mãe teria mudado de ideia. Após deixar o hospital, decidiu permanecer com o filho e tentou desfazer o acordo. Ainda segundo o relato prestado à polícia, ela teria sido informada de que, para ficar com a criança, precisaria pagar R$ 200 mil. Sem condições de arcar com o valor, a mulher procurou ajuda, o que acabou levando o caso ao conhecimento da polícia.

Documento de nascimento teria sido emitido em nome de outra mulher

Outro ponto investigado é uma possível fraude na documentação do nascimento. De acordo com a delegada, a mãe biológica teria dado entrada no Hospital Geral de Altamira, no último dia 9 de setembro, utilizando documentos da mulher que supostamente receberia o bebê. A suspeita é de que a Declaração de Nascido Vivo (DNV), documento utilizado para registrar as informações do nascimento, tenha sido emitida em nome dessa outra mulher, criando uma falsa aparência de maternidade.

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“Foi emitido um nascido vivo no nome dessa senhora, e não no nome da mãe biológica. A mãe biológica entrou no hospital com documentos da pessoa que assumiria a adoção da criança, já com o intuito de fraudar mesmo, de criar um documento, uma falsa aparência de que ela seria a mãe biológica”, afirmou Leda Salgado.

Ainda segundo a delegada, os investigadores conseguiram localizar os envolvidos enquanto o bebê ainda estava sob a posse deles. “A gente encontra essas pessoas de posse da criança, conduzimos todos para a delegacia e verificamos que é uma situação que estava em curso, porque a criança ainda estava de posse dessas pessoas”, acrescentou.

A polícia agora tenta descobrir quem teria produzido ou apresentado os documentos, como as informações foram inseridas no sistema do hospital e se outras pessoas participaram da tentativa de registrar o bebê como filho de outra mulher.

Suspeitos teriam acompanhado mãe até o hospital

Durante as investigações, a polícia também descobriu que alguns dos envolvidos teriam acompanhado a mãe biológica no hospital no momento do parto. Segundo o relato apresentado à polícia, o homem apontado como intermediador e outra pessoa teriam entrado na unidade de saúde junto com a mãe e apresentado os documentos da mulher que supostamente receberia a criança. Depois da alta, os envolvidos teriam deixado o hospital acompanhados da mãe e do bebê, mas seguiram para destinos diferentes. A mãe teria ido para outro local, enquanto os suspeitos permaneceram com o recém-nascido.

Mulher teria vindo da Bahia para receber o bebê

Durante o interrogatório, o homem apontado como intermediador teria indicado quem seria a pessoa que receberia o recém-nascido. Inicialmente, ele teria afirmado que ficaria com a criança, mas depois mudou a versão e apontou uma mulher que atua como mãe de santo. Segundo a Polícia Civil, ela teria vindo da Bahia e estava em Altamira havia aproximadamente 11 dias, aguardando para receber o bebê. A participação dessa mulher e o destino que seria dado à criança após a entrega ainda são investigados.

Bebê passou por exame após suspeita de ferimentos

Durante a ocorrência, também surgiu a informação de que o recém-nascido apresentava cortes e ferimentos pelo corpo. O bebê passou por exame pericial, mas a suspeita não foi confirmada. Segundo a Polícia Civil, a criança está bem e foi colocada sob proteção das autoridades. Três pessoas foram presas em flagrante e encaminhadas ao sistema prisional. Entre os presos estão a mulher que estava com o bebê e o homem apontado como intermediador da negociação.

A mãe biológica foi ouvida e liberada. De acordo com a Polícia Civil, ela também poderá responder pelos fatos que forem comprovados durante o andamento do inquérito.

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, esclarecer a origem dos documentos utilizados no hospital e entender a participação de cada pessoa na tentativa de retirada do recém-nascido. A polícia também apura qual seria o destino da criança caso ela deixasse Altamira.

Fonte: Cidade091

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