No saturado cenário da música independente contemporânea, onde o ruído muitas vezes se sobrepõe à substância, surge a figura enigmática de Ciano Whake. O artista iniciou sua trajetória pública em 2021, sob a sombra claustrofóbica da pandemia, apresentando uma proposta que vai além do entretenimento. Sua discografia pode ser compreendida como um diário de sobrevivência, moldado por texturas de New Age e Ambient Music.
Whake não surgiu a partir de um planejamento de marketing, mas do resgate de arquivos pessoais. Enquanto o mundo se fechava, ele abria um baú de produções guardadas desde a época escolar. A estreia com Celestial já indicava o que viria a se consolidar como sua assinatura artística: uma sonoridade eletrônica etérea, fundida a elementos meditativos. O que começou como experimentações no SoundCloud evoluiu rapidamente para uma presença discreta, porém consistente, nas principais plataformas de streaming.
O ponto mais sensível e marcante da trajetória de Whake é a transparência com que aborda sua saúde mental. Em um movimento de vulnerabilidade raro entre artistas em ascensão, ele não esconde que encontrou no gênero New Age um caminho a seguir. O músico revela enfrentar batalhas contra a depressão e crises de ansiedade.
Em um relato visceral compartilhado nas redes sociais, Whake chegou a mencionar pensamentos suicidas — um momento de ruptura que quase silenciou sua produção artística. O que o trouxe de volta à superfície foi, ironicamente, uma gravação esquecida entre os rascunhos do celular. O episódio reforça o caráter quase terapêutico de sua arte: para Whake, compor não é apenas uma escolha estética, mas uma necessidade vital de reequilíbrio emocional.
Ouça abaixo algumas músicas tocadas por Ciano Whake.



Comentários
Participe com respeito. Comentários podem passar por moderação antes da publicação.
Deixe seu comentário Participe da conversa com respeito. +