Por Felype Adms e Wilson Soares / A Voz do Xingu
A estiagem já começa a provocar impactos na rotina dos moradores da Comunidade Verde Para Sempre, em Porto de Moz, no oeste do Pará. Com a redução do nível dos rios e igarapés, trechos utilizados diariamente pelas comunidades estão secando, dificultando a circulação de embarcações e comprometendo o transporte fluvial.
A situação tem afetado principalmente moradores que dependem dos rios para chegar à cidade. Idosos, por exemplo, enfrentam dificuldades para deixar a comunidade e acessar serviços e benefícios. O transporte pelas vias fluviais é essencial para as famílias que vivem na região e, com a diminuição do nível da água, a locomoção se torna cada vez mais complicada.
Segundo o chefe da Defesa Civil de Porto de Moz, Lineu Franco, o município já está adotando medidas para avaliar os impactos provocados pela estiagem e pelas queimadas. Em entrevista exclusiva à TV Vitória, ele informou que as secretarias municipais estão elaborando relatórios para subsidiar uma possível decretação de situação de emergência.
“O município já elaborou nosso plano de trabalho, contingência em relação às queimadas e estiagem, e todas as secretarias já estão produzindo relatórios juntamente com a Defesa Civil para a gente mandar para o prefeito decretar situação de emergência em relação à estiagem”, afirmou Lineu Franco.
Além das dificuldades de deslocamento, moradores relatam problemas relacionados ao acesso à água potável, alimentação e atendimento médico. Atividades básicas do cotidiano também ficam comprometidas diante da redução do volume de água nos rios e igarapés.

A Reserva Extrativista (Resex) Verde Para Sempre possui acesso predominantemente fluvial, por meio de rios e igarapés. Para as comunidades localizadas no interior da reserva, o transporte por água é fundamental para o deslocamento de pessoas, o abastecimento e o acesso a serviços públicos.
A unidade é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e possui mais de 1,2 milhão de hectares. A reserva ocupa mais de 70% do território de Porto de Moz, o que representa um desafio adicional para a mobilização de equipes e órgãos públicos diante das dificuldades provocadas pela estiagem.
Com a intensificação dos problemas de navegação, os moradores aguardam medidas que possam reduzir os impactos da seca e garantir o acesso a serviços essenciais, especialmente para as famílias que dependem exclusivamente do transporte fluvial.
A Voz do Xingu



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