Aos 12 anos, Heitor Camargo viveu neste mês de setembro uma experiência que o pai, o agrônomo Adriano Camargo, já repete há mais de duas décadas: deixar a rotina da cidade por alguns dias para navegar, pescar e contemplar as paisagens do Rio Xingu, em Altamira, no sudoeste do Pará.

Heitor Camargo
Pela primeira vez, o garoto participou da tradicional Pescaria dos Amigos, expedição realizada entre os dias 5 e 7 de setembro. Ao lado do pai e de outros integrantes do grupo, Heitor conheceu um pouco mais de perto um dos principais patrimônios naturais da região e teve a oportunidade de experimentar a emoção de fisgar peixes nas águas do Xingu.
Para Adriano, a presença do filho deu um significado diferente à viagem deste ano.

Adriano e Heitor Camargo
“Esse ano, pra mim, foi muito especial porque foi a primeira vez que meu filho mais velho participou. O Heitor hoje tem 12 anos”, contou.
A participação do garoto representa também uma mudança que vem acontecendo ao longo dos anos. O encontro, que começou reunindo somente adultos, passou a receber filhos e netos dos participantes, mantendo viva uma tradição que já atravessa gerações.

Idélcio Gonçalves e o filho, João Lucas.
Neste ano, 15 adultos e quatro crianças participaram da aventura. Em três embarcações, eles deixaram Altamira e seguiram para uma localidade situada a cerca de 70 quilômetros do centro da cidade, acima da Cachoeira do Porção, onde permaneceram durante três dias.

No roteiro estavam pescaria, navegação, confraternização e contato direto com a natureza. Uma combinação que também ajuda a revelar o potencial do Rio Xingu para atividades ligadas à pesca esportiva e ao turismo de natureza na Amazônia paraense.

Rio Xingu – Foto: Wilson Soares
Mais de 20 anos de tradição
Adriano Camargo participa da expedição há mais de duas décadas e explica que o encontro se tornou uma tradição entre familiares e amigos.

Adriano e Heitor Camargo
“A pescaria entre amigos já se tornou uma tradição na nossa família e entre os amigos. Todo ano a gente promove pra passar alguns dias no Rio Xingu, em contato com essa natureza maravilhosa. É um momento de confraternização, de estar juntos e renovar nossas energias. A gente se encontra todo ano com esse objetivo”, destacou.

Jeomar Góis
Outro veterano é Jeomar Góis, morador de Medicilândia. Desta vez, ele participou acompanhado de dois netos e do genro, reforçando o caráter familiar que a expedição ganhou ao longo do tempo.

Gabriel Né
“Essa pescaria é sempre um prazer e uma satisfação, muito boa, o local é muito bom. O nome já diz: Pescaria dos Amigos. Tivemos integrantes novos, como o David Luiz, de 10 anos, e o Heitor, de 12 anos, que também entrou agora. Então, cada vez vão entrando os filhos, os netos, e esse é um objetivo muito válido. Graças a Deus, não tivemos nenhum problema, e isso é muito bom”, afirmou Jeomar.

David Luiz Góis Reis
Além do lazer, a participação das crianças contribui para aproximar as novas gerações do rio e estimular uma relação de respeito e preservação com um dos principais símbolos naturais da região.
Um rio com vocação para a pesca esportiva

Neto Né
Para quem gosta de pescar, o Xingu oferece outro atrativo importante: a diversidade de espécies. Tucunarés, cachorras, pacus-de-seringa e outros peixes encontrados na região tornam a experiência ainda mais atrativa para os amantes da pesca.

Daniel Corrêa
Durante a expedição, boa parte dos peixes capturados é devolvida ao rio. A prática do pesque e solte adotada pelo grupo busca unir a diversão da pescaria à preservação das espécies.
Essa combinação de biodiversidade, aventura e paisagens amazônicas evidencia um segmento que ainda pode ser ampliado na região: o turismo de pesca.

João César
Além da pescaria, passeios de barco, contemplação da natureza e experiências em áreas mais afastadas do centro urbano podem integrar roteiros voltados para visitantes interessados em conhecer o Xingu e vivenciar a Amazônia de uma maneira diferente.
Conhecimento que vem de quem vive no Xingu

Rio Xingu – Foto: Vitor Danilo
Mas navegar pelo Xingu exige conhecimento. Em determinados trechos, pedras, corredeiras e mudanças nos canais tornam fundamental a experiência de quem conhece o comportamento do rio.

Foto: Wilson Soares
É o caso de João de Deus de Souza Bezerra, conhecido como “Deusinho”. Piloto de embarcações há mais de 24 anos, ele nasceu e cresceu na região e é um dos responsáveis pela condução dos participantes durante a expedição.

Piloto Deusinho – Foto: A Voz do Xingu
“Eu nasci e me criei nessa região do Xingu e, ao longo do tempo, consegui aprender a pilotar por aqui. Eu venho com vocês porque gosto do grupo, são pessoas simples”, destacou Deusinho.
O conhecimento de profissionais como Deusinho também demonstra como o fortalecimento do turismo pode movimentar diferentes setores da economia local. Pilotos, guias, pousadas, restaurantes, comerciantes e outros prestadores de serviços podem ser beneficiados com a chegada de visitantes interessados em conhecer o rio.
Expedição começa meses antes
A aventura de três dias começa, na verdade, muito antes de as embarcações deixarem Altamira.
Um dos organizadores, o jornalista Wilson Soares, explica que os preparativos começam cerca de 90 dias antes da viagem. É necessário organizar embarcações, contratar pilotos, planejar alimentação, equipamentos e toda a estrutura utilizada pelo grupo. Até camisas personalizadas são confeccionadas para cada edição.

“Como o próprio nome diz, é uma pescaria que reúne parentes e amigos e acontece desde 2005. É um momento em que a gente se reúne para pescar, confraternizar e, ao mesmo tempo, ter contato direto com as belezas naturais que só o Xingu oferece”, destacou Wilson Soares.
GALERIA DE FOTOS

Foto: Wilson Soares

Ivan Cabral.

Fabrício Camargo

Foto: Wilson Soares

Foto: Wilson Soares
Fonte: A Voz do Xingu


Deve ser momentos maravilhosos junto a natureza tão exuberante do nosso rio xingu , parabéns a todos , muito bom ver essa turma toda reunida . Que Deus abençoe sempre vcs e que continue acontecendo essas lindas viagens aí pelo RIOXINGU🥰