Preso em flagrante por suspeita de feminicídio, o advogado criminalista Wlandre Leal já está no sistema penitenciário em Santarém, à disposição da Justiça. A vítima é a esposa dele, Tainá Yarina dos Santos, de 29 anos, que morreu na noite de domingo (19.jul.2026). O advogado alegou que a mulher tirou a própria vida.
Em nota, a Polícia Civil informou que um suspeito foi apresentado à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Santarém, onde foi autuado em flagrante por feminicídio. Ele está à disposição da Justiça. Perícias foram solicitadas e testemunhas estão sendo ouvidas para auxiliar nas investigações. Em entrevista à imprensa local, nesta segunda-feira (20), a delegada Márcia Rabelo, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Santarém, comentou o caso registrado na noite de domingo (19), no município.
Segundo a delegada, o suspeito já foi encaminhado ao sistema prisional e deverá passar por audiência de custódia nesta segunda-feira (20), quando a Justiça decidirá se a prisão será mantida ou se ele responderá ao processo em liberdade. A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil. “Na noite de ontem (domingo) nós tivemos, aqui na delegacia, a apresentação de um suposto feminicídio. Um advogado conhecido na cidade supostamente desferiu um golpe de arma branca no peito da companheira, durante ou após uma briga entre eles. O delegado foi até o local e encontrou indícios suficientes de autoria que o convenceram da realização do flagrante delito”, afirmou.
A delegada também destacou o trabalho das forças de segurança no combate à violência contra a mulher. “Nosso Estado está combatendo atentamente esse tipo de crime, que é uma epidemia mundial. Infelizmente, hoje a família de uma jovem de 29 anos chora e enterra uma moça que tinha um futuro muito grande pela frente e que deixou filhos. A polícia foi rápida, eficaz e, principalmente, o cidadão já está à disposição da Justiça. A audiência de custódia provavelmente será hoje”, disse.
Ainda de acordo com Márcia Rabelo, o suspeito alegou que houve luta corporal e que teria sido lesionado pela companheira. “Ele alegou que houve luta corporal e que ela o lesionou. Foram solicitadas as perícias necessárias, incluindo perícia no local do crime, exame de corpo de delito nele e exame de alcoolemia”, informou.
Versão do advogado
Também em entrevista à imprensa, o advogado apresentou ferimentos no braço esquerdo, que classificou como “lesões de defesa”. “Infelizmente, eu não consegui impedir. Ela deu um único golpe na região do peito dela. Eu tirei a faca e joguei no chão, por volta de 20h40. Imediatamente, chamei o Samu e as forças de segurança e fiquei esperando no local”, afirmou. O advogado acrescentou: “Estou tranquilo com a verdade, mas arrasado com a ação dela. Infelizmente, ela tinha histórico de tentativa de suicídio e já havia cortado o pulso”.
Nota da OAB
A Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Santarém divulgou nota, nesta segunda-feira (20/7), em que manifesta “profundo pesar pelo falecimento da vítima e solidariza-se com seus familiares e amigos, reafirmando seu compromisso permanente com a defesa dos direitos humanos e com o enfrentamento à violência contra a mulher, em todas as suas formas”.
Nesse contexto, diz, a Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Santarém vem a público informar que acompanha o caso amplamente noticiado envolvendo advogado inscrito nesta Subseção, exclusivamente no âmbito de sua competência institucional, com a finalidade de assegurar a observância das prerrogativas da advocacia e dos direitos e garantias constitucionais assegurados a toda pessoa submetida à investigação ou a processo legal.
“O acompanhamento institucional do caso não representa qualquer manifestação sobre os fatos sob investigação, tampouco implica antecipação de juízo quanto à
responsabilidade de qualquer pessoa envolvida, cuja apuração compete exclusivamente às autoridades legalmente incumbidas da investigação e do julgamento, com observância do devido processo legal”, afirma.
A OAB Subseção Santarém também reafirma sua confiança nas instituições responsáveis pela condução do caso e permanecerá atenta ao respeito as garantias constitucionais, as prerrogativas da advocacia e à correta aplicação da lei. A entidade reitera “que o combate à violência contra a mulher constitui pauta permanente e prioritária de sua atuação institucional, apoiando o fortalecimento das políticas públicas de prevenção, proteção, acolhimento às vítimas e responsabilização dos autores, sempre nos termos da Constituição e da legislação vigente”.
Fonte: O Liberal.





















