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Bolsa Família teve mais de 35,6 mil cadastros cancelados por fraude

Foto: Divulgação
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Por conta de irregularidades, o governo federal cancelou o pagamento de mais de 35 mil benefícios do Bolsa Família no Estado do Pará. Até novembro do ano passado, foram retirados 35.649 beneficiários do programa no Estado, o que corresponde a cerca de 3% do total de 1,3 milhão de cancelamentos em todo o País por fraudes no cadastro. De acordo com Ministério da Cidadania, o cancelamento de benefícios, apenas no Pará, gerou uma economia de R$ 57,8 milhões para os cofres públicos.

Em todo território nacional a sangria estancada foi de R$ 1,3 bilhão Para efeito de comparação, há um ano, o Estado contabilizava 954.372 beneficiários. Eles ratearam em janeiro de 2019 um montante de R$ 192.441.296,00. Neste mês, o total de benefícios de paraenses alcançou a sua menor marca, 923.314 pessoas, e repasse total de R$ 187.357.920,00.

Em todo o País, o total de benefícios caiu de 13.760.886 (R$ 2,58 bilhões), em janeiro de 2019, para 13.228.015 (R$ 2,52 bilhões), no mesmo mês deste ano. Segundo o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, o governo está com estudos adiantados para reformular o programa. No entanto, ainda não há prazo para que a reformulação seja lançada. O porta-voz ainda confirmou que a mudança de nome do Bolsa Família está sendo analisada. “É uma das propostas, mas ainda não está fechada. Tudo indica (que sim)”
Crivo do governo combate as fraudes

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Na revisão, verifica-se se as famílias beneficiárias, com cadastros sem atualização há mais de dois anos, continuam dentro das regras para o recebimento do benefício. Na averiguação, faz-se a checagem das informações declaradas pelas famílias no Cadastro Único (que reúne dados de pessoas de baixa renda para a inclusão em programas sociais), sejam ou não beneficiárias do Bolsa Família, cruzando dados com outras bases de dados do governo federal.

Durante esse processo, o ministério cruzou informações do Cadastro Único com outros sistemas federais, como os que registram indicadores do mercado de trabalho e o pagamento de benefícios previdenciários. Além disso, as famílias foram chamadas para a atualização de seus cadastros. De acordo com o Ministério da Cidadania, se há informações divergentes ou desatualizadas sobre a renda, o benefício é suspenso.

O mesmo vale para o caso de mudança na composição familiar. Agora, o governo quer ampliar os procedimentos de controle ampliando o cruzamento de dados com a Receita Federal. O processo, segundo o secretário Nacional de Renda de Cidadania, Tiago Falcão, facilita a quitação dos débitos e tem efeito educativo para a sociedade. “As famílias que não deveriam estar recebendo o benefício, mas que o fazem, ao serem identificadas por CGU e TCU, terão as informações encaminhadas para o Ministério da Cidadania. Confirmados os indícios de irregularidade, acionamos diretamente as famílias para o pagamento imediato dos recursos recebidos indevidamente”, esclareceu.

“Antigamente, os processos eram intermináveis. Agora, damos uma possibilidade de finalizar o processo imediatamente a partir do momento que o cidadão reconhece que recebeu o benefício irregularmente e restitui aos cofres públicos o recurso recebido”, destacou. Em caso de não pagamento da dívida, os ex-beneficiários irregulares do Bolsa Família são incluídos no Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) e/ ou no sistema de cobrança do Tribunal de Contas da União (e-TCE).

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Entre 2018 e 2019, o Ministério da Cidadania recuperou R$ 1,4 milhão de beneficiários do Bolsa Família que receberam o recurso indevidamente. Conforme o ministro da Cidadania, Osmar Terra, o crivo do governo federal está se expandindo a outras áreas. “Estamos discutindo agora o Imposto de Renda. (Verificando) se é possível, sem ferir o sigilo do Imposto de Renda, apresentar o cadastro ao Fisco, para os auditores nos dizerem quem está pagando Imposto de Renda e quem não está. Quem está pagando não deve ficar no Bolsa Família, certamente tem uma renda maior do que a renda prevista para o Bolsa Família. Vamos aperfeiçoar mais ainda o mecanismo de controle”, afirmou.
Programa custará R$ 29,5 bi neste ano

Criado em 2003, o Bolsa Família é um programa de transferência de renda do governo federal que tem o objetivo de combater a extrema pobreza no país. Em 2020, o Orçamento da União prevê que R$ 29,5 bilhões sejam pagos em benefícios do programa. O público-alvo do programa é formado, prioritariamente, por famílias que vivem em situação de extrema pobreza, com renda per capita de até R$ 89 mensais, e de pobreza, com renda entre R$ 89,01 e R$ 178 mensais por membro.

O benefício médio pago a cada família é de R$ 189,21. Para receber o benefício, é necessário que haja na família crianças ou adolescentes com idade até 17 anos. Para garantir o acesso ao benefício, as famílias devem seguir as condicionantes impostas pelo governo, como matrícula na escola e levar as crianças até 7 anos para serem vacinadas conforme o calendário de vacinação do Ministério da Saúde.
Por:Thiago Vilarins da Sucursal Brasília

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