Novo Repartimento PA

STJ anula prisão de indígenas investigados pela morte de 3 jovens no PA

MPF afirmou que a competência para processar e julgar o caso é da Justiça Federal. Crime ocorreu em abril de 2022.

Três jovens foram encontrados na Reserva Indígena Parakanã em abril de 2022 — Foto: Divulgação
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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o arquivamento do processo e anulou a prisão determinada pela Justiça do Pará contra seis indígenas da Terra Parakanã suspeitos de matarem três jovens em abril de 2022, em Novo Repartimento, no sudeste do estado.

A decisão ocorreu na segunda-feira (17 de junho) e atendeu um habeas corpus apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF).

No pedido, o MPF afirmou que a competência para processar e julgar o caso é da Justiça Federal, uma vez que os homicídios ocorreram em contexto de disputa sobre direitos indígenas e estão relacionados a crime ambiental federal anterior: caça com arma de fogo no interior de terra indígena devidamente homologada.

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Os indígenas da aldeia Parakanã tinham sido indiciados pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver e tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça do Pará no dia 10 de abril de 2023.

Os corpos dos supostos caçadores Cosmo Ribeiro de Sousa, José Luís da Silva Teixeira e Wilian Santos Câmara foram encontrados dentro da reserva indígena Parakanã em abril de 2022.

Prejuízo irreparável

O MPF diz ainda que as prisões “afetam o povo Parakanã e podem causar prejuízo irreparável e coloca as comunidades em risco de punição por meios ilegais”. Entre os presos está o cacique-geral do povo.

Em 2023, o MPF determinou o arquivamento do inquérito sobre os fatos, conduzido pela Polícia Federal, por falta de indícios que pudessem apontar as pessoas responsáveis pela autoria dos crimes. No mesmo ano, a Justiça Federal repassou o caso para a Justiça Estadual.

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Segundo os procuradores que acompanharam as investigações, “não há qualquer testemunha direta ou prova pericial nos autos capaz de correlacionar a morte das três vítimas à conduta dos indígenas indiciados”.

Represálias a indígenas

Ao argumentar contra a prisão dos indígenas e a acusação de homicídio, o MPF “apontou que a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Pará foi genérica, sem provas para comprovar a autoria dos crimes e sem individualização das condutas”.

Segundo informações da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), parte da população passou a adotar atos de represália e até emboscadas contra os indígenas.

Entre essas ações, a criação de dificuldades de locomoção, o que afetou as atividades produtivas e prejudicou a segurança alimentar dos indígenas, já que a colheita de açaí não está sendo feita. Com isso, as atividades do dia-a-dia foram prejudicadas.

Com informações do G1 Pará.

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