Por Wilson Soares
Sinto falta do tempo em que trabalhar na imprensa era sinônimo de respeito. Muita gente ainda tem uma ideia errada sobre o que é ser jornalista ou comunicador. Ao contrário do que pensam, quem está na linha de frente da notícia não recebe bem, quase nunca tem hora extra e, mesmo assim, carrega a responsabilidade de buscar o melhor — seja uma informação precisa, uma boa foto ou um vídeo que registre o fato como ele é. Tudo isso para que, no dia seguinte, ou às vezes no mesmo dia, a notícia chegue ao público com agilidade e credibilidade.
Falo por mim. Quando saio para uma cobertura, é isso que busco fazer: mostrar a verdade dos acontecimentos e levar informação de qualidade à população. Desafio qualquer um a dizer que um dia cobrei um real sequer para cobrir um evento. Pelo contrário — muitas vezes deixamos nossas famílias em casa, sem hora para voltar, gastamos com combustível e até pagamos estacionamento, tudo em nome do compromisso com a notícia.
Estamos acostumados com os sacrifícios da profissão. O que incomoda é ver o quanto o jornalismo perdeu prestígio. Quando um profissional de imprensa é tratado como inferior a um assessor de filmagem de parlamentar, é sinal de que algo está realmente errado. Mas aprendi que, nessas horas, são os incomodados que devem se retirar — e talvez também sejam esses que mais se incomodam com o nosso trabalho.
Se é assim, que esses “assessores” passem a fazer o que nós fazemos: divulgar antes, durante e depois dos eventos, com a mesma dedicação e responsabilidade que a imprensa carrega há décadas.
Sinto saudade do tempo em que comecei nessa atividade, lá nos anos 1990. Era diferente. Havia mais respeito, mais parceria, mais reconhecimento. Os entendedores entenderão.





















