Produtores de cacau anunciam manifesto em Medicilândia contra queda de preços e importações africanas

Foto: Wilson Soares - A Voz do Xingu
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Produtores e comerciantes de cacau do sudoeste do Pará estão organizando um manifesto pacífico em Medicilândia, principal polo produtor de amêndoas de cacau do Brasil, em protesto contra os deságios considerados excessivos nos preços pagos ao produtor e o aumento das importações de cacau africano, que, segundo o setor, vêm pressionando o mercado interno.

A mobilização está marcada para sexta-feira, 6 de fevereiro, às 9h, no centro de Medicilândia, e deve reunir fazendeiros, comerciantes, representantes de entidades de classe e lideranças políticas ligadas à cadeia produtiva do cacau. De acordo com os organizadores, o ato busca dar visibilidade a uma insatisfação que já vem sendo amplamente manifestada nas redes sociais.

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Entre as principais queixas está a forte queda no valor pago pela amêndoa. Em 2024, o quilo do cacau chegou a ser comercializado por até R$ 70, enquanto atualmente os preços variam entre R$ 13 e R$ 17 na região. Os produtores atribuem o cenário à aplicação de deságios negativos atrelados às cotações da Bolsa de Nova York, além da formação de estoques acima da real demanda e da entrada de grandes volumes de cacau importado.

Por outro lado, representantes das indústrias moageiras afirmam que o setor enfrenta uma crise de demanda por derivados de cacau, o que tem levado à redução das moagens e à formação de estoques internos. Segundo as indústrias, a retração do consumo, no mercado interno e externo, impacta diretamente o ritmo das fábricas. Em relação às importações, o setor industrial sustenta que elas são estratégicas para garantir o abastecimento contínuo e a utilização da capacidade instalada, sendo contratadas com antecedência diante da dificuldade de previsões de longo prazo.

O impasse evidencia o acirramento das tensões entre produtores e indústrias em um momento de instabilidade do mercado global do cacau, marcado por volatilidade de preços, ajustes estruturais e desafios relacionados à demanda e ao equilíbrio comercial do setor.

A Voz do Xingu (com informações do Mercado do Cacau)

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