Após anos figurando entre os municípios com maiores índices de desmatamento da Amazônia, Altamira, no sudoeste do Pará, vive uma nova fase marcada pela forte redução dos alertas ambientais. Uma virada de página que já aparece de forma consistente nos dados mais recentes.
Os dados mais recentes de alertas de desmatamento em Altamira evidenciam uma queda acentuada e contínua nos últimos anos, indicando uma mudança clara na dinâmica ambiental do município.

Dados de alertas de desmatamento em Altamira.
De acordo com o monitoramento do Deter, em 2021 foram registrados 523,46 km² de áreas sob alerta de desmatamento. Em 2022, houve um leve aumento, chegando a 542,03 km², mantendo o município em um cenário de forte pressão sobre a floresta.
A partir de 2023, no entanto, inicia-se uma redução significativa. Os alertas caíram para 235,49 km², representando uma diminuição expressiva em relação ao ano anterior. A tendência de queda se intensifica em 2024, com 112,35 km², e se consolida em 2025, quando o município registra apenas 54,42 km², o menor índice do período analisado.
Na comparação entre 2022, ano com maior registro recente, e 2025, a redução ultrapassa 90%, demonstrando uma desaceleração consistente no avanço do desmatamento.
O resultado reflete uma atuação mais firme da Prefeitura de Altamira no enfrentamento ao desmatamento ilegal, com reforço da fiscalização, uso de tecnologias de monitoramento e ações integradas de ordenamento territorial e conscientização ambiental.
A mudança de trajetória indica uma reação pontual e um novo direcionamento na política ambiental do município.
Incremento de desmatamento mostra mudança de tendência
A análise do incremento anual, que mede o avanço do desmatamento ao longo dos anos, demonstra ainda mais essa virada.

Dados de incremento de desmatamento em Altamira por ano.
Entre 2008 e 2012, Altamira apresentou oscilações moderadas, com índices que variaram de 193,85 km² (2010) a 388,93 km² (2009). A partir de 2013, os números voltaram a crescer gradualmente, passando por 296,54 km² (2013), 308,2 km² (2015) e chegando a 408,65 km² em 2016.
Após uma queda em 2017 (224,22 km²), o município entrou em uma nova escalada: 429,95 km² em 2018, 575,08 km² em 2019 e o pico de toda a série em 2020, com 797,69 km². Mesmo com leve recuo em 2021 (765,53 km²) e 2022 (626,02 km²), o cenário ainda era de forte pressão sobre a floresta.
A mudança mais significativa ocorre a partir de 2023, quando o incremento despenca para 317,7 km², seguido por 166,63 km² em 2024 e 130,17 km² em 2025, os menores níveis registrados em mais de uma década.

Em 2025, Altamira teve o menor nível de incremento de desmatamento em mais de uma década. Foto: Norte Energia / Divulgação.
Essa queda contínua no incremento anual indica que, além de reduzir o total desmatado, o município conseguiu desacelerar o ritmo de avanço da degradação, consolidando uma tendência de controle mais efetivo.
Combinando a redução dos alertas totais e a queda no incremento anual, Altamira se reposiciona no cenário ambiental do Pará como um exemplo de reversão consistente, mostrando que políticas públicas locais podem gerar impactos concretos na preservação da floresta.
“O avanço para redução a cada ano em Altamira está no reflexo dos esforços que a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Gestão do Meio Ambiente, produz ao realizar o monitoramento contínuo e integrado, utilizando as geotecnologias como ferramentas estratégicas para o combate ao desmatamento. Com o fortalecimento das ações da secretaria em regularizar ambientalmente os empreendimentos em suas diversas atividades comerciais, principalmente nas áreas rurais, com base em princípios agroecológicos e sustentáveis, estamos conseguindo ter maior adesão das comunidades neste processo que é benéfico a todo o município. Nosso compromisso, juntamente com as políticas federais, é chegar ao desmatamento a nível zero em 2030 por meio de uma gestão ambiental integrada, participativa e conectada que valoriza a identidade territorial dos povos e fortalece uma economia cada vez mais verde“, afirmou Rafael Oliveira, secretário da Gestão do Meio Ambiente.
Dados de monitoramento por satélite
Os números apresentados têm como base os sistemas Prodes (Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite) e Deter (Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real), responsáveis pelo acompanhamento do desmatamento na Amazônia.
O Prodes realiza, desde 1988, o mapeamento anual do desmatamento por corte raso na Amazônia Legal, gerando as taxas oficiais utilizadas pelo governo brasileiro na formulação de políticas públicas e estratégias de combate ao desmatamento.
Já o Deter, criado em 2004, funciona como um sistema de alerta rápido, identificando em tempo quase real áreas sob risco de desmatamento e degradação florestal, permitindo respostas mais ágeis das equipes de fiscalização.
Fonte: Ascom/PMA






















