Um encontro promovido pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) reuniu produtores, representantes de entidades do setor e instituições públicas nesta terça-feira (25.ago.2026), em Altamira, no sudoeste do Pará. O objetivo foi levantar as principais necessidades da cadeia produtiva e contribuir para a construção de políticas públicas voltadas à cacauicultura nos próximos anos.
Entre os assuntos debatidos estão a melhoria da qualidade das amêndoas, o fortalecimento da produção e a contribuição da cacauicultura para o desenvolvimento econômico e social das regiões produtoras.

Segundo a coordenadora nacional de Pesquisa da Ceplac, Monaliza Sales, o trabalho busca identificar as particularidades de cada território produtor para que as futuras políticas públicas estejam alinhadas às necessidades de quem vive da atividade.
“Estamos fazendo um trabalho de conhecer a realidade de cada território para poder entender como essa política pública deve ser construída, qual a real necessidade do cacauicultor paraense, do cacauicultor baiano, do Espírito Santo, de Rondônia, de todas as regiões que produzem cacau”, explicou.
Produtores preocupados com os preços
Apesar da importância econômica da atividade, produtores da região demonstram preocupação com as frequentes oscilações no preço do cacau, situação que vem sendo registrada desde o ano passado.
Atualmente, segundo representantes do setor, o quilo da amêndoa seca é comercializado na região entre R$ 12 e R$ 18, enquanto o custo médio para produzir um quilo em condições de comercialização chegaria a aproximadamente R$ 20,50. Os produtores também apontam uma diferença significativa entre as cotações do produto no mercado internacional e os valores pagos no mercado local.
Para Sérgio Vieira, representante da Associação Nacional de Produtores de Cacau, o cenário tem provocado prejuízos e aumentado a preocupação entre os produtores.
“O preço da bolsa era para estar em R$ 30 o quilo, mas as moageiras estão comprando por cerca de R$ 18. Os intermediários não estão tendo nem para quem vender. Com isso, acabam assumindo riscos ao comprar o cacau e estão pagando R$ 12 o quilo ao produtor. Nós estamos produzindo cacau abaixo do preço de custo. Isso é muito ruim para a região”, afirmou.
Cacau transformou economia da Transamazônica
A produtora de cacau e chocolatier Jiovana Lunelli, que mora em Brasil Novo, a cerca de 46 quilômetros de Altamira, destacou a transformação econômica provocada pela expansão da cacauicultura na região da Transamazônica. Para ela, o futuro da atividade também passa pelo fortalecimento dos sistemas agroflorestais.
“O cacau não representa só uma commodity. Ele mudou a vida dessa região toda. Então, existiu o antes do cacau e existe o pós-cacau. Mas esse cacau precisa ser produzido em SAFs, em sistemas agroflorestais, que é aquilo que eu defendo. Eu vejo um futuro muito promissor para essa região”, ressaltou.
Pará lidera produção nacional
O Pará continua na liderança da produção brasileira de cacau, respondendo por cerca de 52% das amêndoas produzidas no país. No ano passado, foram aproximadamente 142 mil toneladas, reforçando a importância da cultura para a economia paraense.
De acordo com o superintendente regional da Ceplac no Pará e Amazonas, Raul Guimarães, a região da Transamazônica ocupa posição estratégica na produção nacional.
“Aqui nós temos os municípios que mais produzem cacau no Brasil. Seis municípios dessa região produzem 40% da produção nacional e a Transamazônica tem uma representatividade de 86% da produção de cacau do estado do Pará”, destacou.
As informações levantadas durante o encontro deverão contribuir para o planejamento de ações e políticas públicas destinadas a fortalecer a cadeia produtiva, melhorar a qualidade das amêndoas e ampliar a sustentabilidade econômica e social da cacauicultura nos principais territórios produtores.
As informações são da reportagem de Cristiane Prado, da TV Liberal e do g1 Pará.























