Belo Monte contesta pedido do Ibama e defende modelo de vazão criticado por danos na Volta Grande do Xingu, no Pará

Órgãos ambientais e MPF apontam impactos causados pela redução da vazão na Volta Grande do Xingu e pedem revisão do modelo de liberação de água. Empresa defende o atual modelo, conhecido como Hidrograma de Consenso.

Foto: Divulgação/Norte Energia
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O Ibama informou nesta sexta-feira (16 de janeiro de 2026) que a Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, recorreu do pedido para apresentar um novo esquema de vazão de água no rio Xingu. A empresa defende o atual modelo, conhecido como Hidrograma de Consenso.

Em setembro de 2025, o Ibama cobrou da Norte Energia a apresentação de um novo hidrograma. Questionado pelo g1, o órgão federal não revelou o que motivou a medida naquela data, mas afirmou que o recurso está em análise no “processo administrativo do empreendimento”.

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Em paralelo, uma ação que tramita na Justiça Federal também trata do volume de água liberado por Belo Monte para a Volta Grande do Xingu, no sudoeste do Pará.

Em decisão de dezembro de 2025, a Justiça acolheu pedido do MPF e determinou a revisão urgente do modelo de liberação de água, ao reconhecer danos ambientais severos na Volta Grande do Xingu.

Em nota, o Ministério Público Federal informou nesta sexta-feira (16) que aguarda um posicionamento definitivo do Ibama, já que o prazo estabelecido para a apresentação de uma nova proposta de hidrograma por parte da Norte Energia expirou na segunda-feira (12).

Segundo a Norte Energia, uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, de agosto de 2022, determinou que qualquer alteração no hidrograma deveria ser feita apenas após o trânsito em julgado, ou seja, quando todos os recursos do processo fossem esgotados – o que ainda não ocorreu.

O hidrograma define a quantidade de água do rio Xingu é desviada para a geração de energia e quanto permanece no rio, especialmente na região da Volta Grande do Xingu, onde vivem comunidades indígenas e ribeirinhas, e ecossistemas considerados sensíveis.

A Usina Belo Monte  — Foto: Divulgação

A Usina Belo Monte — Foto: Divulgação

Modelo compromete vida indígena e ribeirinha

De acordo com órgãos ambientais, pesquisadores defendem que a vazão de água atual não é suficiente para manter o equilíbrio ambiental da Volta Grande do Xingu, trecho do rio que serve de lar de povos indígenas e ribeirinhos.

Estudos apontam que a redução do fluxo de água compromete a reprodução dos peixes, provoca a seca de áreas alagáveis, dificulta a navegação e afeta diretamente o modo de vida de comunidades locais.

Além dos impactos ambientais, o questionamento também envolve o cumprimento de outros condicionamentos do licenciamento ambiental da usina.

O modelo aprovado no licenciamento ambiental da usina previa a alternância entre dois volumes de vazões, chamados de A e B ou Hidrograma de Consenso.

Mas, segundo o MPF, o uso desses dois modelos não ocorreu de forma adequada desde o início da operação plena de Belo Monte, em 2019.

A empresa informou ao g1 que, por determinação do Ibama, adota desde 2019 “apenas o hidrograma B” e que qualquer decisão sobre revisão no regime de vazão do rio Xingu deve passar pelos “principais atores do setor elétrico”.

A Norte Energia defende que, além das questões ambientais, deve-se levar em conta a segurança energética e a contribuição da usina para uma matriz elétrica mais limpa e renovável.

A concessionária da usina disse ainda que “a hidrelétrica já chegou a gerar sozinha até 19% da energia demandada pelo Sistema Interligado Nacional (SIN), gerido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), no dia 8 de março de 2020”.

“A companhia segue executando um robusto pacote de mitigação, que faz parte do seu processo de licenciamento. Foram investidos R$ 8 bilhões no Projeto Básico Ambiental, sendo R$ 1,4 bilhão somente para o Plano Básico Ambiental do Componente Indígena”, informou a empresa.

Fonte: G1 Pará

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