Ibama e ICMBio intensificam combate à exploração ilegal de madeira no Pará com a Operação Maravalha

Ação conta com o apoio de 150 agentes públicos. Até o momento, 26 madeireiras forma vistoriadas, incluindo locais clandestinos sem documentação e sem comprovação da origem da madeira

Fiscalização do Ibama identifica irregularidades na origem e no armazenamento de produtos florestais durante a Operação Maravalha - Foto: Fiscalização/Ibama
Fiscalização do Ibama identifica irregularidades na origem e no armazenamento de produtos florestais durante a Operação Maravalha - Foto: Fiscalização/Ibama
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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deflagrou, no dia 24 de fevereiro, a Operação Maravalha, com foco na fiscalização da cadeia produtiva da madeira em diversos municípios do estado do Pará. A ação é conduzida pelo Ibama, em articulação com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e integra a estratégia permanente de enfrentamento aos crimes ambientais na Amazônia.

A operação conta com o apoio da Força Nacional de Segurança Pública, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar do Pará, mobilizando mais de 150 agentes de fiscalização e segurança pública.

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Coordenada pelo Ibama, a Operação Maravalha tem como objetivo combater a degradação ambiental associada à exploração ilegal de madeira, especialmente em áreas sensíveis, como unidades de conservação, terras indígenas, terras públicas não destinadas e propriedades privadas.

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Forças de segurança atuam em operação integrada para coibir a exploração ilegal de madeira em municípios do Pará – Foto: Fiscalização/Ibama

Com base em análises da área de inteligência do Instituto, foram identificados indícios de irregularidades em aproximadamente 100 serrarias, que passaram a ser alvo de fiscalização ao longo da operação. O trabalho prévio permitiu mapear fluxos suspeitos de madeira, inconsistências nos sistemas de controle florestal e possíveis conexões entre áreas de extração ilegal e polos industriais. Estudos técnicos indicam que mais de 30% da madeira explorada na Amazônia pode apresentar indícios de irregularidades, o que evidencia a necessidade de ações estruturadas, integradas e contínuas de controle ambiental.

Entre as áreas que vêm sofrendo maior pressão e que permanecem sob monitoramento constante do Ibama estão territórios indígenas e unidades de conservação federais localizadas na região de influência da operação, como a Terra Indígena Cachoeira Seca, a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, o Parque Nacional do Jamanxim e as Florestas Nacionais do Jamanxim, do Trairão e de Itaituba I e II, além de outras áreas protegidas e glebas públicas federais.

Durante as ações, foram identificadas práticas ilícitas recorrentes, como a abertura de ramais clandestinos para o escoamento de madeira extraída ilegalmente e o chamado “esquentamento” de produto florestal, prática que consiste na mistura de madeira de origem ilegal com madeira proveniente de planos de manejo autorizados. Após esse processo, a madeira passa a circular com documentação aparentemente regular, sendo comercializada principalmente para as regiões Sul, Sudeste e Nordeste do país, com pequena parcela destinada à exportação.

As fiscalizações concentram-se em indústrias madeireiras, pátios de estocagem e no transporte de produtos florestais, abrangendo toda a cadeia produtiva, desde o recebimento da madeira em tora até a destinação dos resíduos industriais.

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Operação combate a abertura de ramais clandestinos usados para o escoamento de madeira extraída ilegalmente – Foto: Fiscalização/Ibama

Até o momento, foram vistoriadas 26 madeireiras, todas com algum tipo de irregularidade. Parte delas operava de forma totalmente clandestina, sem qualquer documentação de funcionamento ou comprovação da origem da madeira utilizada. Também foram realizadas doações de bens apreendidos, como móveis confeccionados com madeira ilegal, destinados à Polícia Rodoviária Federal.

Durante a operação, o Ibama poderá adotar medidas administrativas como embargo de atividades irregulares, apreensão de madeira, veículos e equipamentos, além da lavratura de autos de infração. As informações coletadas também subsidiam a responsabilização administrativa e criminal dos envolvidos, em articulação com os órgãos de segurança pública.

Além dos danos ambientais, essas práticas geram impactos sociais e econômicos relevantes, prejudicam comunidades locais e promovem concorrência desleal em relação a empreendimentos que atuam de forma regular, com planos de manejo florestal sustentável devidamente aprovados.

O Exército Brasileiro, por meio do 53º Batalhão de Infantaria de Selva, em Itaituba (PA), recebeu a doação de 90 metros cúbicos de madeira serrada da espécie cupiúba. Na região de Anapu, parte da madeira apreendida em uma empresa clandestina foi subtraída durante a noite, fato que evidencia os desafios logísticos e operacionais envolvidos na guarda e destinação desse tipo de bem apreendido.

Fonte: Ascom/Ibama

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