Uma extensa mortandade de peixes foi registrada no Rio Cupari, no interior da Reserva Extrativista (Resex) Verde Para Sempre, localizada na região de Porto de Moz, oeste do Pará. O vídeo gravado por um homem em uma pequena canoa mostra um tapete de peixes mortos em um rio. A testemunha cita diferentes espécies como surubim, pescada, tucunaré, trairá e outros.
“Olha galera, é de dar pena de ver a quantidade de peixe morto aqui. Bateu o recorde aqui nesse canto. Surubim aqui. Tudo quanto é tipo de peixe. Aqui tem grande quantidade. Olha como está aqui! Espalhado”, falou o homem. O vídeo mostra as margens do rio cheias de peixes mortos boiando.
Um morador de uma comunidade tradicional do Rio Cupari, o pescador Silvan Souto Sá, de 35 anos, que mora na Resex Verde Para Sempre ficou assustado com a morte dos peixes. “A gente viu isso acontecer, aqui não é água parada, é água corrente, mas eram uns dez peixes, poucos. Ficava até bom de flechar, mas nunca aconteceu de ficar qualhado e com tanto peixe em morto na água. Isso é uma tragédia, como que agora vai ter a reprodução?!”, indaga.
Os pescadores temem que a morte em massa dos peixes dificulte a reprodução das espécies, que estão no período de defeso. A morte pode diminuir a quantidade de peixes para o restante do ano. Outro medo é da contaminação da água com o material orgânico que impede as comunidades de consumirem a água do Rio Cupari.
“Aqui nessa época acontece um fenômeno que a água muda de cor, como se o campo fosse lavado. Só que dessa vez está mais forte, a gente não pode beber a água”, conta. “Estamos aqui na reserva extrativista e a água para beber é o que já tínhamos guardado, não dá para pegar a água que está no rio agora. Ela tem um cheiro podre. A gente não tem acesso a água potável”, revelou o pescador.
A comunidade espera uma resposta das autoridades para entender qual foi a causa da morte de tantos animais. Uma das hipóteses é que as queimadas do ano passado que atingiram com força a região tenham desequilibrado o ecossistema da região.
A diretoria da Resex Verde Para Sempre, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), confirmou que o vídeo realmente foi feito dentro da reserva. A diretoria do local informou que estava em tratativas junto à Coordenação Territorial e Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio para que possam ser realizadas as diligências necessárias para elucidação do caso. Uma primeira incursão está prevista para ocorrer ao longo dessa semana.
A Reserva Extrativista (Resex) Verde para Sempre possui mais de 1,2 milhão de hectares de extensão no município de Porto de Moz. A Resex é destinada ao uso sustentável de comunidades tradicionais, sendo uma área protegida da floresta amazônica enquanto promove o extrativismo (frutos, óleos) e manejo florestal comunitário. Estimativas apontam que uma população de aproximadamente 6 mil pessoas vivam na área principalmente do extrativismo de castanha e manejo madeireiro. A área possui o maior número de planos de manejo florestal sustentável na Amazônia.
Com informações de O Liberal.






















