Cacau despenca para R$ 8 o quilo e atinge um dos menores valores dos últimos anos

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O preço do cacau voltou a cair e chegou a R$ 8,00 o quilo nesta quinta-feira, (19.fev.2026), configurando um dos menores patamares registrados nos últimos anos na região da Transamazônica, no sudoeste do Pará. A desvalorização preocupa produtores, especialmente em Medicilândia, município reconhecido como um dos maiores polos produtores de cacau do país.

Foto: Agência Pará

Foto: Agência Pará / Divulgação

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Para efeito de comparação, em julho de 2024 o quilo do produto chegou a ser comercializado entre R$ 50 e R$ 70, impulsionado pela alta histórica no mercado internacional. Naquele período, produtores tiveram maior fôlego financeiro para investir na recuperação de áreas, adubação e ampliação das lavouras.

Agora, com a cotação em apenas R$ 8, agricultores relatam dificuldades para cobrir custos básicos de produção, como insumos, controle de pragas, transporte e mão de obra. Segundo relatos, em algumas propriedades já há dificuldade até para manter o pagamento de diárias aos trabalhadores rurais, que hoje variam entre R$ 100 e R$ 150, dependendo do serviço contratado.

Produtores afirmam que o valor atual compromete totalmente a margem de lucro e pode impactar diretamente a próxima safra, já que muitos dependem do resultado das vendas para reinvestir na própria plantação. A preocupação é que a falta de recursos resulte em redução de tratos culturais, queda na produtividade e aumento do endividamento no campo.

MANIFESTO

Foto: Wilson Soares - A Voz do Xingu

Foto: Wilson Soares

Diante da crise, agricultores realizaram no último dia 6 de fevereiro um manifesto pacífico em Medicilândia para chamar a atenção das autoridades sobre a situação do setor. Durante o ato, os organizadores defenderam a revogação da Instrução Normativa nº 125 (IN 125), do Ministério da Agricultura e Pecuária, que, segundo os produtores, facilita a importação de cacau africano para o Brasil e pressiona o mercado interno.

Dias depois, autoridades estaduais e um grupo de lideranças da região da Transamazônica participaram de uma reunião em Brasília (DF) com representantes do ministério. No entanto, o pedido de revogação da IN 125 não foi aceito. O ministro garantiu que será mantida fiscalização rigorosa sobre o cacau importado, especialmente quanto à qualidade e às exigências sanitárias.

O resultado do encontro, porém, não atendeu às expectativas da maioria dos participantes, que defendiam medidas mais concretas para proteger o produtor nacional e assegurar maior equilíbrio no mercado.

A crise reacende o debate sobre políticas públicas voltadas à garantia de preço mínimo e mecanismos de proteção ao produtor rural, em uma região onde o cacau é a principal base da economia e sustento de milhares de famílias.

Por Wilson Soares – A Voz do Xingu

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