Entre os dias 16 e 19 de abril de 2026, o Rio Xingu foi cenário de uma travessia inédita: a 1ª Expedição de Jetski no trecho entre Altamira e São Félix do Xingu. Um grupo formado por 14 aventureiros, utilizando 13 jetskis, percorreu cerca de 1.100 quilômetros (ida e volta), desbravando um dos trechos fluviais mais remotos e pouco explorados da Amazônia paraense.
A iniciativa é considerada pioneira, já que nunca antes uma frota de jetskis havia realizado oficialmente esse percurso. Mais do que uma aventura esportiva, a expedição teve como objetivo mapear o potencial turístico da região, identificando pontos de interesse natural, comunidades ribeirinhas, áreas de corredeiras e paisagens que podem integrar futuros roteiros de ecoturismo e turismo de aventura no sudoeste do Pará.
A escolha do período foi estratégica. A travessia só se torna possível durante o chamado “inverno amazônico”, quando o nível das águas se eleva devido às chuvas. Fora desse período, o rio apresenta forte volume de corredeiras e cachoeiras, tornando o trajeto praticamente intransponível, até mesmo para embarcações de maior porte. Ainda assim, os participantes enfrentaram trechos de correnteza intensa, exigindo alto nível técnico e preparo físico.
Durante o percurso, o grupo também precisou lidar com imprevistos. Na ida, um dos jetskis apresentou falha mecânica, obrigando o piloto a seguir viagem na garupa de outro participante. Já no retorno, uma segunda embarcação sofreu danos após atingir uma pedra submersa. A situação foi contornada com o apoio de Paulo Bruno Franco, único profissional da equipe, campeão brasileiro e sul-americano na categoria GP de jetski, que realizou os reparos em campo e garantiu a continuidade da missão.
Nos bastidores, a logística da expedição contou com o apoio essencial de Alcilei Curuaia, conhecido como Silas, de 48 anos, piloto da embarcação de suporte. Nascido na Reserva Extrativista Xingu, ele foi responsável por guiar o grupo com segurança ao longo de todo o trajeto, utilizando seu conhecimento tradicional sobre o rio, suas correntezas e rotas seguras.
A expedição também proporcionou contato direto com a realidade das comunidades locais. O grupo visitou a aldeia indígena Apyterewa e contou com o apoio de moradores ribeirinhos da própria Resex Xingu, onde pernoitou em alguns pontos. A receptividade das comunidades foi destacada como um dos aspectos mais marcantes da jornada, evidenciando que o potencial turístico da região vai além das belezas naturais.
Entre os participantes esteve o vereador de Altamira, Mayckon Pontes, que ressaltou a importância estratégica do Rio Xingu para o desenvolvimento regional. Segundo ele, a expedição demonstra que o rio pode se consolidar como um destino de turismo de aventura de nível internacional, com Altamira atuando como porta de entrada desse novo mercado.
O trecho percorrido reúne áreas de floresta preservada, territórios indígenas e rica biodiversidade, sendo reconhecido tanto pela beleza quanto pela complexidade de navegação. O uso de jetski permitiu acessar pontos de difícil alcance por vias terrestres, reforçando o caráter inovador da iniciativa.
Os dados coletados durante os quatro dias de expedição serão organizados em um relatório técnico, que deverá ser apresentado a autoridades municipais e estaduais. O objetivo é subsidiar políticas públicas voltadas ao fortalecimento do turismo sustentável na região do Xingu.




















