O caos eterno na Rodovia Transamazônica

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A equipe do Jornal A Voz do Xingu percorreu mais uma vez a Rodovia Transamazônica, entre os municípios de Altamira e Uruará, no sudeste do Pará. As cenas registradas pela nossa equipe parecem antigas, mas foram feitas no início de março. O trecho pior está entre os municípios de Brasil Novo e Uruará. No km 42, está a primeira cratera, poucos quilômetros depois, uma carreta tombada na segunda cratera que fica no km 47. O trecho conhecido como ladeira da onça, já teve nos últimos meses pelo menos seis acidentes parecidos com o desta carreta, que vinha carregada de madeira e não conseguiu subir a ladeira e acabou tombando as margens da rodovia, de uma altura de mais de 6 metros. O motorista só não morreu porque pulou do veículo antes que ele virasse.

Seguindo viagem, no km 50, o pouco asfalto que resta está tomado pelos buracos. Poucos quilômetros depois a estrada está quase sendo cortada por uma nova cratera. As pontes também estão em más condições.  Muitas ainda de madeira, acabam servindo de armadilha para os motoristas. Uma que fica no km 94, depois da cidade de Medicilândia teve de ser interditada pela Polícia Rodoviária – PRF, para que o pior não acontecesse. Os motoristas afirmam que ela pode cair a qualquer momento. “Sabemos do risco que estamos correndo, mas precisamos seguir viagem né? Fazer o quê?”, questiona o motorista Antônio Vieira, que estava carregado de alimentos com destino a cidade de Altamira.

A ponte do km 108, ainda no município de Medicilândia, foi reconstruída recentemente pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte – DNIT, mas o resto da madeira da ponte antiga continua lá jogada dentro do igarapé, impedindo a passagem da água pelo leito natural. A ponte, que fica numa curva, acaba sendo despercebida pelo motorista, como foi o caso da caminhonete dirigida por Lucas. Ele perdeu o controle do veículo e foi parar lá embaixo na madrugada do domingo, 11 de fevereiro. Por sorte ninguém que estava no veículo se feriu. Para retirar o carro que ficou debaixo de galhas de árvores, foi necessária uma força tarefa dos colonos que residem ali por perto e de um trator.

Já no quilometro 127, região de Uruará, flagramos mais um caminhão carregado de madeira tombado. O motorista conta que perdeu o controle na estrada escorregadia e acabou caindo na lateral da rodovia. Ele desabafa com a nossa equipe. “Eu vinha descendo essa ladeira era umas onze horas da manhã o caminhão começou a patinar. Aí quando chegou aqui o caminhão tombou e a madeira puxou para a lateral do veículo. Olha o meu prejuízo como está? Esta rodovia já está paga faz tempo. Cadê o dinheiro? O que o governo está fazendo com esse dinheiro da Transamazônica? Quem vai pagar meu prejuízo?”. Questionou o caminhoneiro Rusemberg Oliveira, que vinha carregado com destino ao sudeste do país.

Ao longo de toda a rodovia flagramos também inúmeras pessoas circulando de motocicleta, muitas vezes sem placa, com excesso de passageiros e sem a utilização do capacete. Todas essas infrações são consideradas graves segundo o Código Brasileiro de Trânsito.

Aberta no início da década de 70, a Rodovia Transamazônica nunca teve sua pavimentação concluída, e quem vive aqui já sabe que neste período, considerado inverno amazônico, tem que tentar vencer os atoleiros para trafegar na BR 230. Só que além da rodovia, esse período chuvoso também está danificando os travessões e vicinais que dão acesso as cidades. Maria Augusta, produtora rural da região e leitora do Jornal A Voz do Xingu enviou um vídeo e fotos para mostrar como está a situação da ladeira da Pedra que dá acesso ao município de Senador José Porfírio, também na região sudoeste do estado. “Tudo quer o produtor quer, é ir e vir e escoar sua produção. E é esse o Brasil que estão deixando pra nós. É inacreditável! Um país tão rico, com tanta produção e precisando passar por isso. Os caminhões tentando subir e não conseguem e olhe que deu apenas um sereno. Esse é o Brasil que estão deixando pra nós”, desabafou a produtora.

Até o fechamento desta edição o DNIT, que é o órgão responsável pela conservação da Rodovia Transamazônica, não se manifestou sobre a situação da BR 230.

Texto e fotos: Wilson Soares (A Voz do Xingu.com.br)

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