Combinação de calor com alta umidade é a causa de tempestade com alto número de raios

Foto: Divulgação
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Uma combinação de fatores climatológicos foi responsável pela tempestade com alta incidência de raios que foi registrada na Região Metropolitana de Belém na segunda-feira (10). Segundo dados do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica) do Centro de Ciências do Sistema Terrestre do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), entre a meia-noite de domingo (9), até as 23h59m59s da segunda-feira, foram registrados 1.291 raios na Região Metropolitana de Belém, sendo que 912 foram do tipo NS (Nuvem-Solo). O chamado “inverno amazônico”, o período de chuvas na região Norte, dá início à temporada de raios que geralmente vai até maio. A média anual de incidência de raios no Brasil é de 144 milhões. De acordo com o Elat/Inpe, a concentração de raios em Belém é de 15,2 por km²/ano, o que deixa a capital paraense em 301º lugar no ranking da densidade nacional e na 51ª posição estadual.

A alta incidência de raios no estado neste período chuvoso é causada pela associação entre umidade elevada e dias ensolarados, explica o coordenador do Núcleo de Hidrometeorologia da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas-PA), Saulo Carvalho. “Nos primeiros dez dias do mês de janeiro estava ocorrendo muito fluxo de umidade, muitas chuvas de forma contínua, mas até então com poucos raios. O que aconteceu ontem (segunda-feira, 10) é que praticamente o dia todo foi ensolarado, com muito calor. E este calor fez com que aumentasse a instabilidade atmosférica, que favoreceu a formação de muitas nuvens cumulonimbus, que são aquelas nuvens de trovoada. Aliado a isso, a esse calor na região metropolitana, um grande volume de nuvens estava no litoral paraense e veio se propagando continente adentro, chegando na região. Esse calor gerado ao longo do dia e da tarde provocou uma situação bem favorável para formação dessa tempestade, com bastante raios que foram registrados”, afirma o coordenador.

Quando o sol aparece, mas chove em seguida, é esperada uma ocorrência de raios. “O período em que se inicia o período chuvoso em Belém e na Região Metropolitana, na faixa norte do estado como um todo, naturalmente já traz um acúmulo de umidade atmosférica aqui na região como um todo. Quando tem uma situação específica, quando o sol consegue aparecer, esses eventos extremos acontecem, então ocorrem chuvas frequentes, sem muitas características de vendaval, rajadas de vento. Mas como esse calor foi predominante e veio esse afluxo de umidade, ocorreu todo esse evento ontem”, afirma Saulo Carvalho. “Sempre que a gente perceber que o sol vai aparecer, pelo menos o sol entre nuvens e esse sol provocar o calor pela manhã e pela tarde, combinado com esse afluxo de umidade aqui na região, é provável que ocorram eventos como esses ao longo do período chuvoso aqui na região, além da região compreendida desde o nordeste do Pará até o Baixo Amazonas”, completa o coordenador.

Raios – Com cerca de 78 milhões de raios por ano, o Brasil é o país com maior incidência de raios no mundo. A cada 50 mortes causadas por raios no mundo, uma acontece no Brasil, que registra 130 óbitos por ano, no Brasil, segundo o Inpe. De acordo com dados coletados pelo Elat entre os anos de 2000 a 2019, o Pará ficou em terceiro lugar entre os Estados com maior número de mortes causadas por raios, com 162 fatalidades, atrás de Minas Gerais, com 175, e São Paulo, com 327 óbitos. Este levantamento reuniu informações coletadas neste período pelo Departamento de Informações e Análise Epidemiológica (CGIAE) do Ministério da Saúde, veículos da imprensa e dados de população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados revelam um total de 2.194 fatalidades registradas; uma média de 110 casos por ano no período. Dentre as principais circunstâncias de fatalidades, os maiores percentuais são aqueles associados a atividades de agronegócio (26%).

Quando há formação de nuvens no horizonte, a recomendação dos especialistas é a de evitar lugares abertos e se abrigar em prédios, pontos de ônibus ou dentro de carros, por exemplo. Dentro de casa, é preciso se afastar de portas e janelas com grade de metal, que são condutores de eletricidade, e também é importante não usar celular ligado na tomada, se mantendo longe de objetos ligados às redes elétrica e telefônica. No trânsito, deve-se permanecer dentro do automóvel. Em casos de espaços abertos (praias, pastos, plantações, campos de futebol, a dica é procurar abrigo sempre que o tempo fica encoberto e não somente quando chove.   

Por Bruna Brabo (SEMAS)/ Agência Pará

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