Responsável por mais da metade da produção de cacau do país, o estado do Pará, mais precisamente a região do Médio Xingu, acaba de ganhar um chocolate que vai muito além do sabor, remontando à cultura milenar dos Jurunas. Trata-se do chocolate artesanal Kunhã Arã, totalmente produzido por uma associação indígena sediada em Altamira, Sudoeste do Pará. O lançamento aconteceu no Chocolat Amazônia 2026, Festival Internacional do Chocolate e Cacau, que encerrou ontem (26/4), no Hangar Centro de Convenções, em Belém.
Lançado em três versões de chocolate ao leite (50%, 70% e 100% cacau), o produto é o sexto de um projeto de chocolates indígenas locais apoiado pela Norte Energia e carrega um diferencial inédito, pois é o primeiro a ser integralmente fabricado pela própria comunidade.
Diferentemente de grande parte dos produtos disponíveis no mercado, o Kunhã Arã, que em tupi significa Guerreira da Luz ou Guerreira da Vida, é único porque todas as suas etapas de produção ocorrem dentro da própria comunidade. O processo abrange desde o plantio de aproximadamente 19.000 pés de cacau, cultivados em sistema agroflorestal sustentável, passando pela colheita, seleção, fermentação, secagem e torra, até chegar à formulação e embalagem do chocolate. Além de ser um produto artesanal, suas receitas incluem ingredientes como manteiga de cacau e são livres de conservantes e aromatizantes.
O apoio para profissionalizar a produção veio do Plano Básico Ambiental do Componente Indígena da Usina Hidrelétrica Belo Monte, da qual a Norte Energia é a empresa concessionária.
Essa cadeia produtiva gera benefícios diretos para as 51 famílias que formam a Associação Indígena Tubyá. Formada por indígenas de contexto urbano e rural da etnia Juruna, a associação conta com oito famílias trabalhando ativamente nas etapas de plantio e produção no campo. Liderada pela indígena Irasilda Morais Pereira Fernandez
Juruna, a iniciativa fomenta a geração de renda local e possui forte potencial de impacto socioeconômico, com planos de expansão, que incluem o fornecimento do chocolate para merendas escolares por meio do Programa de Aquisição de Alimentos.
“O que temos hoje na comunidade é inexplicável. Começou com o Chocodjá, antigo nome do chocolate, e logo deu certo, com muita saída. É um projeto voltado para as mulheres, com o objetivo de complementar a renda das famílias. Antes não tínhamos apoio. Pedimos a ajuda da Norte Energia e recebemos mais do que um apoio. Hoje temos uma parceria em tudo. Agora a nossa expectativa é ampliar o alcance e levar o nosso produto para outros estados, e até para fora do Brasil. Para quem começou do zero, eu sei que chegaremos lá”, afirma Irasilda.
O chocolate também é um poderoso instrumento de resgate dos valores e da cultura da comunidade Juruna, que trabalha para recuperar sua língua e os grafismos tradicionais perdidos após o contato com não indígenas em 1750. Com o apoio da Norte Energia na construção da identidade visual e embalagens, o Kunhã Arã celebra o poder feminino e a força da terra. A logomarca traz uma figura feminina central que representa a guerreira guardiã da floresta e da partilha, coroada por um cocar em forma de sol que reverencia o cacau como um fruto sagrado e ancestral. O resultado é uma marca que equilibra tradição, futuro, resistência da mulher indígena e a doçura que nasce da terra.
Para garantir a autonomia da comunidade e permitir que o chocolate fosse fabricado localmente, a Norte Energia forneceu um melangê (equipamento de refino do cacau) e as formas para moldar as barras. A expectativa de produção é de 50 Kg de chocolate por mês. O suporte também incluiu o fornecimento inicial de mais de 11.000 mudas de cacau, assistência técnica, construção de 5 secadores solar, e mais recentemente a elaboração em conjunto com a associação, de um Plano de Identidade Visual da marca, assim como o custeio de 1.000 embalagens para viabilizar o início da comercialização.
“Temos o compromisso de fortalecer a agricultura familiar indígena, promovendo a sustentabilidade, o empreendedorismo e o empoderamento feminino nas comunidades indígenas da região. Acreditamos que iniciativas como essa geram impacto positivo duradouro, ao criar oportunidades de geração de renda, valorizar saberes tradicionais e contribuir para a melhoria da qualidade de vida das famílias”, afirma Thomás Sottili, Gerente de Projetos de Sustentabilidade da Norte Energia.

O Kunhã Arã chega para empoderar ainda mais a capacidade de produção e o empreendedorismo indígena, trazendo consigo a história de sustentabilidade, autonomia e resistência dos povos do Médio Xingu.




















