O Pará ocupa o 2º lugar entre os estados brasileiros com maiores crescimentos nas apreensões de fuzis entre 2021 e 2025, aponta a pesquisa “A nova cadeia de suprimentos do crime”, divulgada em agosto, pelo Instituto Sou da Paz, com dados coletados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) junto às secretarias de segurança pública de todos os estados brasileiros.
O ranking, consolidado pelo Instituto Sou da Paz, mostra o Pará com alta de 360% nas apreensões nesse no período, atrás apenas da Bahia, segundo as informações levantadas junto ao Ministério da Justiça, que coleta dos dados das unidades da Federação sempre no início de cada ano: nesse levantamento inicial, o Estado avançou de 5 fuzis, apreendidos em 2021, para 23 armas desse tipo, apreendidas em 2025.
Esses dados, porém, também são revisados e consolidados, posteriormente, pelas próprias secretarias de segurança, que atualizam essas informações, com base em análises necessárias à qualificação e atualização dos dados iniciais. Ainda assim, os números atualizados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) confirmam o avanço do Pará nas apreensões de armas nesse período: de 7 fuzis apreendidos, efetivamente, em 2021, o Pará passou a 25 armamentos desse tipo apreendidos em 2025, uma alta de 257%.
Combate ao crime organizado
Diante do cenário de circulação ilegal de armamentos de grosso calibre, ligados ao crime organizado, a ampliação das apreensões registradas pelas forças de segurança do Estado do Pará resultam de ações de inteligência, operações integradas com outros Estados, troca de informações e presença estratégica em áreas urbanas, rurais e fluviais. Dados da Secretaria Adjunta de Inteligência e Análise Criminal (Siac) da Segup mostram que dos 7 fuzis apreendidos em 2021, o Estado passou a 13 apreensões, em 2022, saltou a 22 registros, em 2023, e também apreendeu mais 25 fuzis, em 2024, e outros 25, em 2025. Ao todo, 92 fuzis foram retirados de circulação no Pará nos cinco anos analisados.
Para o secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, coronel PM Ed-Lin Anselmo, o resultado está diretamente relacionado ao fortalecimento da atuação integrada e à ampliação da capacidade das forças de segurança do Estado do Pará.
“O enfrentamento ao crime organizado exige uma atuação permanente, integrada e baseada em inteligência. Estamos fortalecendo nossas estruturas, ampliando a presença das forças de segurança e utilizando tecnologia para identificar e antecipar ações criminosas, além de retirar de circulação armas que poderiam ser utilizadas contra a população. Esse trabalho integrado entre as instituições é fundamental para enfraquecer a atuação desses grupos e garantir mais segurança à sociedade paraense”, destaca o titular da Segup.
Além dos fuzis, as forças de segurança do Pará atuam na retirada de diferentes tipos de armamentos de circulação. Em 2024 e 2025, também foram apreendidas 5.095 armas de fogo. Em 2026, o número registrado até o mês de julho é de 1.257 armas de fogo apreendidas em todo o Estado.
A Segup informa ainda que as apreensões de armas dos tipos pistola, revólver e fuzil, realizadas em 2024, 2025 e também em 2026, representam um prejuízo estimado de R$ 11.479.040,00 (onze milhões, quatrocentos e setenta e nove mil e quarenta reais) para o crime.
Delegacia de Combate a Facções Criminosas
O fortalecimento da segurança pública também envolve estruturas especializadas para enfrentar organizações criminosas. Na Polícia Civil do Pará, a Delegacia de Repressão às Facções Criminosas (DRFC), criada em 2020, atua na investigação e desarticulação de grupos criminosos, com identificação de integrantes, lideranças e estruturas de atuação no Estado.
A atuação da unidade também é ampliada por meio da integração com forças de segurança de outros estados. Somente em 2025, foram realizadas 80 operações em 19 estados, que resultaram em 373 prisões e no cumprimento de 633 mandados judiciais.
Desde sua criação, a DRFC contabiliza 989 ocorrências e 518 prisões de criminosos faccionados. Foram 448 as prisões realizadas de 2023 a 2025. Em 2026, até julho, já são 70 as prisões registradas.
“O enfrentamento às facções criminosas é uma prioridade permanente da segurança pública, porque essas organizações possuem capacidade de articulação, recrutamento e atuação em diferentes territórios. Por isso, é fundamental uma atuação especializada, baseada em inteligência e integração entre as forças de segurança, capaz de identificar e desarticular não apenas os integrantes que estão na ponta, mas também as lideranças e as estruturas que dão sustentação às atividades criminosas”, destaca a diretora da Delegacia de Repressão às Facções Criminosas, delegada Amanda Mendes Felipe Ferreira.
“Fuzis são armamentos de elevado poder ofensivo, diretamente relacionados à capacidade bélica e ao poder de intimidação dessas organizações criminosas. Retirar esses armamentos de circulação significa reduzir a capacidade operacional das facções, prevenir crimes violentos e proteger a população”, reitera a delegada.
Por sua vez, a Polícia Militar do Pará ampliou a presença no interior do Estado, com a atuação do Batalhão Rural em regiões mais afastadas dos centros urbanos, com patrulhamento preventivo e repressivo e apoio a operações em áreas de difícil acesso.
A atuação especializada e o trabalho de inteligência também contribuem para prevenir crimes de alto potencial ofensivo. O Pará está há três anos sem registro de roubo a banco na modalidade “vapor” ou “novo cangaço”, que é aquela caracterizada pela ação de grupos fortemente armados que invadem cidades inteiras e sitiam seus moradores, fazendo reféns, dominando forças de segurança locais e instituições financeiras, para realizar os crimes.
Queda de mortes por armas de fogo
Esses resultados, que estão relacionados diretamente ao aumento do monitoramento, à troca de informações e à atuação integrada das forças de segurança do Pará – o que permite identificar movimentações criminosas e atuar de forma preventiva em diferentes regiões do Estado – também se refletem em outros índices da segurança pública entre os paraenses.
De acordo com o Atlas da Violência 2026, o Pará segue entre os estados com maiores reduções nos números totais de casos e também nas taxas gerais de homicídios por arma de fogo registrados para cada 100 mil habitantes.
Enquanto o Brasil registrou, em uma década, um recuo de 31,2% no número de homicídios por arma de fogo a cada 100 mil habitantes, de 2014 a 2024, com queda de 6,9% nesses tipos de registros entre 2019 a 2024, o Estado do Pará teve um recuo de 27,2% nesses casos entre 2014 a 2024 (de 2.305 casos para 1.677 registros), e registrou seu maior avanço justamente nos anos mais recentes. Entre 2019 a 2024, a queda foi de 29,7% (de 2.386 casos para 1.677 registros para cada 100 mil habitantes).
A taxa geral de homicídios por arma de fogo também caiu no Pará. O recuo foi de 31,8% entre 2019 a 2024 (de 28,6 para 19,5 registros por 100 mil habitantes) e a redução é de 32,3% na última década, de 2014 a 2024 (com queda de 28,8 para 19,5 registros a cada 100 mil habitantes).
Presença estratégica, tecnologia e inteligência
Para ampliar a capacidade operacional das forças de segurança no Estado, o Pará fez a aquisição de equipamentos de alta tecnologia, novas viaturas, armamentos, munições, embarcações e estruturas.
Entre as estruturas estão as Bases Integradas Fluviais, instaladas estrategicamente para reforçar a fiscalização e o enfrentamento aos crimes cometidos nas rotas pelos rios paraenses.
Atualmente, o Estado conta com três bases: a Base Integrada Fluvial Candiru, em Óbidos, no Baixo Amazonas; a Base Integrada Fluvial Antônio Lemos, em Breves, no Arquipélago do Marajó; e a Base Integrada Fluvial Baixo Tocantins, implantada este ano em Abaetetuba.
Essas bases ampliam a presença das forças de segurança nas regiões fluviais e reforçam a fiscalização de embarcações e cargas, especialmente em áreas utilizadas para a circulação de drogas, armas e outros ilícitos.
Nos últimos anos, essa ampliação da atuação das forças de segurança do Pará resulta em impactos em outras frentes ligadas ao crime organizado, como o tráfico de entorpecentes. O combate ao tráfico de drogas no Estado também registra aumento no volume de entorpecentes retirados de circulação. As apreensões passaram de 9 toneladas, em 2023, para 13 toneladas, em 2024, e mais de 16 toneladas, em 2025. Em 2026, até julho, já foram apreendidas quase 8 toneladas de drogas no Estado.
A estrutura de segurança pública do Pará conta ainda com mais de mil câmeras de videomonitoramento, incluindo equipamentos instalados nos 100 totens de segurança distribuídos pelas diferentes regiões do Estado.
Parte das câmeras utiliza tecnologia de leitura de placas veiculares e reconhecimento facial, auxiliando na identificação de pessoas, veículos e situações relacionadas a ocorrências criminais.
Os totens também permitem acesso direto da população às equipes de segurança por meio do canal 190, destinado a situações de urgência e emergência.
Integração regional
A descentralização da estrutura de segurança também fortalece a atuação no interior do Estado. O Pará possui unidades distribuídas nas 16 Regiões Integradas de Segurança Pública (Risps), permitindo maior proximidade das forças de segurança com as diferentes regiões e agilizando o compartilhamento de informações e a tomada de decisões.
No Estado, o enfrentamento ao crime organizado combina inteligência, integração, tecnologia, investigação, operações e presença territorial, com atuação nos centros urbanos, áreas rurais, regiões de fronteira e corredores fluviais.
A retirada de armamentos de circulação, o fortalecimento das unidades especializadas e a ampliação da capacidade de monitoramento e resposta integram a estratégia das forças de segurança para reduzir a capacidade operacional de grupos criminosos e proteger a população paraense.
Fonte: O Liberal.






















