Secretário de saúde de Medicilândia bloqueia entrada de Hospital em Altamira para tentar internar paciente

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Foto: Wilson Soares – A Voz do Xingu

Com uma ordem judicial nas mãos, em que determinava a internação do paciente no Hospital Regional, o secretário de saúde de Medicilândia, Danilo Lopes, resolveu ele mesmo vir à Altamira dirigindo a ambulância com o paciente João Batista Lima, 59 anos, que aguarda há mais de 3 meses uma vaga no Hospital Regional Público da Transamazônica, para realizar um procedimento cirúrgico para tratamento de calculose na bexiga.

De acordo com secretário, João Lima está com 80% do canal de urina obstruído por um cálculo renal e além de fortes dores ele está sangrando há vários dias.

O paciente chegou a ser internado no Hospital Regional Público da Transamazônica, mas devido à falta de leito acabou tendo que voltar para Medicilândia, onde diariamente tem procurado a emergência do hospital municipal com muitas dores. 

Em um ato de desespero, o secretário e a família resolveram ir para a porta do Hospital Regional, que é o único que tem a competência para realizar a cirurgia. Mesmo com a decisão da justiça que determinava o pagamento de multa de R$ 10 mil por dia, o hospital disse que o leito do paciente só seria liberado no próximo domingo, 25 de agosto. Foi então que o secretário Danilo Lopes, resolveu na tarde desta quarta-feira, 21, conduzir o paciente para a frente do Hospital Regional e bloqueou com a ambulância a entrada da unidade hospitalar. “Foi feita uma petição judicial para esse paciente dar entrada no Hospital Regional, o juiz decretou um prazo de 48 horas para ele dar entrada. Saiu novamente o leito e quando chegou aqui na portaria do hospital barraram a entrada do paciente, que segundo informações, o profissional que iria realizar a cirurgia estava de férias e não havia leito. Desde então estamos tentando articular junto à Sespa, um leito para que esse paciente possa fazer a cirurgia. O Estado tem uma multa de mais de R$ 300 (trezentos mil reais) por descumprimento da ordem judicial. Então fica a pergunta: Por que não pagar uma cirurgia em outro hospital, como manda a ordem judicial, já que não tem leito aqui. Uma cirurgia dessa custa bem menos que a multa. Entre R$ 10 e R$ 15 mil reais. Então, quando eu cheguei hoje na minha sala para trabalhar em Medicilândia, encontrei a família desesperada pedindo até pelo amor de Deus para não deixar o pai morrer”, desabafou, o secretário de saúde de Medicilândia durante coletiva à imprensa local.

Foto: Wilson Soares – A Voz do Xingu

Em meio à confusão, duas viaturas da polícia militar apareceram em frente ao hospital, para desocupar a entrada da unidade hospitalar, mas após o secretário apresentar a ordem judicial, os policiais resolveram questionar os responsáveis pelo hospital, se eles tinham conhecimento da decisão. É só depois de quase duas horas e muita conversa a portas fechadas, foi autorizada a entrada da ambulância com o paciente.

 

Luciana Silva – filha do Sr. João Batista

O impasse foi acompanhado de perto por duas filhas e a esposa do Senhor João Batista que choravam ao lembrar a situação que o pai vem passando. “Há três dias ele só consegue fazer xixi de cócoras, por não conseguir ficar de pé devido a tanta dor. E todos esses dias ele tem apresentado muita febre, disse a filha Luciana da Silva Lima.

Nota de Esclarecimentos da SESPA-Altamira

A Direção do 10º Centro Regional de Altamira – SESPA – informa que referente ao caso do paciente residente do município de Medicilândia, ao qual estava em frente ao Hospital Regional.

Tomamos conhecimento que a Secretaria Municipal de Saúde de Medicilândia, através do seu secretário municipal, Sr. Danilo Lopes, antecipou a vinda do usuário, sem a prévia autorização da internação pela Central de Regulação Estadual, fugindo do protocolo estabelecido e, colocando em risco a vida do paciente.

Vimos esclarecer que:

– O paciente possui cirurgia eletiva agendada para o dia 25/08/19, sendo assim, o mesmo deveria comparecer no respectivo dia para realizar a internação no Hospital Regional Público da Transamazônica.

– Cabe ressaltar que o município de Medicilândia, tem Gestão Plena do seu serviço de saúde, sendo o responsável direto pelo tratamento e segurança do paciente, não podendo assim encaminhar o usuário, sem a devida autorização da Central de Regulação.

– Diante de todo o transtorno causado, informamos que nesse momento tomamos todas as medidas cabíveis quanto ao ocorrido junto ao município de Medicilândia. Assim, perante a grave situação de exposição do usuário por parte do município de Medicilândia. Solicitamos ao Hospital Regional que realizasse o acolhimento necessário ao usuário, a fim de se evitar maiores complicações no seu quadro clinico. Observando que o mesmo foi transferido de seu município de origem até Altamira, sem acompanhamento médico necessário.

Nesse sentido, reforçamos nosso compromisso com a sociedade da região em esclarecer e tomar as medidas cabíveis para que tais ocorrências não venham a ocorrer novamente.

Maurício Miranda do Nascimento – Diretor do 10º CRS –SESPA

Texto e Fotos: Wilson Soares – A Voz do Xingu

Comments 3

  1. Mateus batista says:

    Esperar 3 meses para conseguir o leito é aceitável de acordo com o diretor do SR. Maurício Miranda do Nascimento – Diretor do 10º CRS –SESPA. Total ineficiente do estado, deveria ter vergonha de dá tal esclarecimento e culpar o Sr . Danilo Lopes por sua empatia com o paciente. VERGONHA !!!!!

  2. Herculano says:

    So fez isso pq era um conhecido proximo tenho certeza que ele não faria isso por qualquer um ainda mais sendo arrogante q nem ele é

  3. Lamentável ter que chegar a esse ponto para atendimento de um paciente, a bravura do secretário de saúde de Medicilândia é inegável!
    Parabéns ao profissional pela atitude.
    Agora, o que falta é ampliação do HRT, espaço físico não é problema, o problema é o governo do estado SR Helder Barbalho, olhar com bons olhos pra essa região e fazer o que tem que ser feito.

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